Quantos traders ganham dinheiro em Forex? Dados da ESMA e da KNF

Última verificação: · Revisão trimestral
Aviso de risco · YMYL Este artigo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui aconselhamento de investimento. Operar no mercado Forex envolve alto risco de perda de capital — a ESMA informa que entre 74% e 89% das contas de investidores de varejo perdem dinheiro.

A pergunta mais comum que ouço de quem está avaliando o mercado Forex é esta: quantas pessoas realmente ganham dinheiro com isso? A resposta não é questão de opinião nem anedota de fórum — existem dados concretos de reguladores. Na União Europeia, a autoridade ESMA fixou os números em uma decisão legal de 2018, e o supervisor financeiro da Polônia, a KNF, publica resultados parecidos todos os anos. As cifras concordam, e são desconfortáveis: ano após ano, a grande maioria dos clientes ativos termina no prejuízo. Neste artigo eu mostro de onde vêm essas estatísticas, por que a maioria perde e o que diferencia a minoria lucrativa.

O que dizem os dados da ESMA na Europa

A referência mais ampla para o leitor que pesquisa o mercado de varejo vem da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), que analisou dados de muitos países da União Europeia ao mesmo tempo. Em sua decisão de restringir os contratos por diferença (CFD) para clientes de varejo, anunciada em 27 de março de 2018, a ESMA declarou que, dependendo da corretora, entre 74 e 89 por cento das contas de varejo perdem dinheiro, com uma perda média por cliente que varia de 1.600 a 29.000 euros. Esse intervalo — de 74 a 89 por cento — é a base do aviso de risco padronizado que você vê em qualquer corretora europeia.

Não se trata de uma estimativa nem de uma pesquisa de opinião: é o resultado das contas reais de clientes em empresas supervisionadas. E não é um número isolado de um único mercado. Taxas de perda no varejo semelhantes aparecem de forma consistente em mercados regulados diferentes, justamente porque as causas são as mesmas em toda parte. Quem está começando no Brasil ou em Portugal lê esses mesmos riscos estruturais, ainda que o regulador local seja outro. Vale entender os fundamentos do mercado antes de interpretar qualquer porcentagem.

O que mostram os dados do regulador polonês KNF

Um segundo conjunto de números, independente, confirma o quadro europeu. O supervisor financeiro da Polônia (KNF) coleta todos os anos os resultados realizados dos clientes de Forex junto às corretoras nacionais e os publica em seu relatório sobre resultados de clientes no mercado Forex. A metodologia é deliberadamente simples: toma-se o saldo de cada cliente no fim do ano civil, a partir das operações efetivamente encerradas naquele ano. Importante deixar claro: a KNF é o regulador da Polônia, não do Brasil — mas seus dados servem como um ponto de referência valioso e raro, porque poucos órgãos publicam estatísticas tão detalhadas.

O retrato ao longo de cinco anos consecutivos é coerente. Em 2021, 71,9 por cento dos clientes ativos terminaram no prejuízo; em 2022 foram 79,1 por cento; em 2023, 73,3 por cento; em 2024, 70,6 por cento; e em 2025, 72,2 por cento. O resultado médio do cliente ativo foi negativo em cada um desses anos. Em 2025, o valor total das perdas dos clientes chegou a quase quatro vezes o valor total dos ganhos — este não é um mercado em que vitórias e derrotas se equilibram. Os clientes de varejo representaram 99,9 por cento de todos os clientes ativos, ou seja, esses números descrevem antes de tudo o investidor individual comum, não instituições.

No Brasil, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) não publica uma estatística equivalente de perdas no Forex de varejo, mas alerta repetidamente contra intermediários não autorizados — por isso vale sempre verificar o registro do regulador antes de depositar em qualquer corretora estrangeira. Para o leitor de Portugal, o aviso da ESMA aplica-se diretamente através da CMVM.

Por que a maioria perde

As razões são contáveis, não místicas. A primeira é o custo de transação: toda posição começa com valor esperado negativo, porque o cliente paga o spread, muitas vezes uma comissão e, nas posições mantidas de um dia para o outro, os pontos de swap (rollover). Esses valores aparentemente pequenos se somam a cada clique. A segunda é a alavancagem excessiva — uma ferramenta que amplia o lucro e o ritmo de destruição do capital na mesma medida. Bastam alguns movimentos do mercado para liquidar uma conta superalavancada, um tema que vale estudar dentro dos conceitos técnicos do mercado.

A terceira razão é o excesso de operações. Quanto mais você opera, mais vezes paga os custos e mais chances dá à emoção de decidir por você. A quarta, e mais profunda, é a falta de uma vantagem testada — muitos iniciantes abrem posições por palpite, por uma manchete ou pelo sinal de outra pessoa, sem ideia de se sua abordagem tem valor esperado positivo. E a quinta, que amarra tudo, é a psicologia: perseguir perdas, tentar recuperar e a relutância em admitir um erro transformam uma perda pequena e controlada em uma grande.

"A maioria dos traders perde dinheiro porque preferem perder dinheiro a admitir que estão errados." — Martin Schwartz, 2018

O que diferencia a minoria lucrativa

O mais importante que os dados dizem é que a minoria existe. Em 2025, 27,8 por cento dos clientes ativos da KNF terminaram o ano no lucro, e em 2024 foram 29,4 por cento. Pelo lado europeu, se entre 74 e 89 por cento perdem, então de 11 a 26 por cento ganham. É uma minoria real, não um zero estatístico. A diferença não é que essas pessoas adivinham o mercado. Reduz-se a quatro coisas, cada uma das quais pode ser contada e treinada.

Primeiro, o controle de risco em uma única operação — arriscar uma fração do capital, não metade dele, de modo que nenhuma perda seja fatal. Esse é o alicerce que se aprende na gestão de risco. Segundo, menos operações e melhores, em vez de cliques constantes. Terceiro, uma vantagem testada — uma abordagem que você sabe ter produzido historicamente um resultado positivo, em vez de esperança. Quarto, disciplina, ou seja, a capacidade de seguir as próprias regras quando a emoção grita o contrário. Esses quatro elementos não garantem lucro, mas movem você do lado padrão e perdedor da distribuição para o lado que a melhora.

Como ler esses números com sobriedade

É fácil cair em um de dois extremos. O primeiro é a negação — "essas estatísticas são sobre os trouxas, não sobre mim". O segundo é o fatalismo — "se a maioria perde, não vale a pena tentar". Os dois são falsos. Uma estatística descreve uma população, não é um veredicto sobre uma pessoa: ela mostra onde está o resultado padrão se você não muda nada, mas não o proíbe de estar na minoria. A pergunta real não é se o Forex é um jogo de azar, nem se dá para viver disso — cada uma merece seu próprio tratamento.

A pergunta real é se você está pronto para tratar isto como um ofício com risco contável, ou como uma aposta. Os dados da ESMA e da KNF são um aliado aqui, não um inimigo — eles mostram exatamente como é a média, para que você decida deliberadamente o que fazer de diferente. Quem quiser ir mais a fundo na estatística do mercado de varejo encontra uma visão mais ampla na seção sobre regulamentação da forexmechanics.com.

O que fazer agora

  1. Encontre a porcentagem de contas perdedoras na sua corretora. Acesse a página inicial da empresa onde você mantém ou pretende manter uma conta e localize o aviso de risco no rodapé. Anote esse número num papel — não é propaganda, mas a distribuição concreta dos resultados dos clientes da qual você passa a fazer parte no instante em que abre uma posição.
  2. Abra o relatório original da ESMA ou da KNF e leia uma tabela. Procure a decisão da ESMA de 2018 ou o relatório da KNF sobre resultados de clientes de Forex, abra o documento e encontre a linha com a proporção de clientes perdedores. Ver o número num documento do regulador, e não no resumo de outra pessoa, trabalha a imaginação de uma forma completamente diferente.
  3. Some os seus custos de transação até agora. Se você já opera, abra o histórico do último mês e some os spreads, comissões e pontos de swap que pagou. Compare esse valor com o seu resultado — muitas vezes o montante entregue à corretora é maior do que toda a perda ou todo o lucro do período.
  4. Defina um limite de risco e anote-o. Estabeleça a porcentagem máxima de capital que está disposto a perder em uma única operação e fixe-a acima do monitor ou no seu diário de trading. Manter o risco baixo não aumenta a sua taxa de acerto, mas é a única variável que decide se você sobrevive tempo suficiente para uma vantagem funcionar.
Jarosław Wasiński
Sobre o autor

Jarosław Wasiński

Editor-chefe do MyBank.pl · Analista financeiro e de mercados

Analista e profissional independente com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro. Fundador e editor-chefe do portal MyBank.pl, em atividade desde 2004. Análise fundamentalista dos mercados de câmbio e macroeconômicos desde 2007. Escreve a partir da perspectiva dos mercados globais, com atenção ao quadro regulatório europeu (ESMA) e brasileiro (CVM).

Fontes e bibliografia

  1. Urząd Komisji Nadzoru Finansowego Wyniki klientów na rynku Forex za rok 2024 · Doroczny raport UKNF o zrealizowanych wynikach aktywnych klientów rynku forex: odsetek klientów stratnych (70,6% w 2024 r.), średni wynik na klienta oraz łączne zyski i straty. www.knf.gov.pl ↗
  2. Urząd Komisji Nadzoru Finansowego Wyniki klientów na rynku Forex za rok 2022 · Komunikat UKNF z danymi za rok 2022, w którym stratę poniosło 79,1% aktywnych klientów — najwyższy odsetek w pięcioletnim szeregu 2021–2025. www.knf.gov.pl ↗
  3. European Securities and Markets Authority ESMA agrees to prohibit binary options and restrict CFDs to protect retail investors · Komunikat ESMA z 27 marca 2018 r.: analizy krajowych nadzorców wykazały, że od 74% do 89% rachunków detalicznych CFD jest stratnych, ze średnią stratą od 1 600 do 29 000 euro na klienta. www.esma.europa.eu ↗
  4. New York Institute of Finance Market Wizards: Interviews with Top Traders · Wywiady Jacka Schwagera z czołowymi traderami, w tym diagnoza Martina Schwartza, dlaczego większość traderów detalicznych przegrywa — źródło cytatu w tekście. www.goodreads.com ↗

Perguntas frequentes

Esses 74–89 por cento de clientes com prejuízo vêm da publicidade das corretoras ou do regulador?

Vêm do regulador, não do marketing. A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) avaliou de forma consolidada, em sua decisão de intervenção sobre produtos de 27 de março de 2018, os resultados de contas de varejo de uma grande variedade de países da União Europeia. O resultado: dependendo da corretora, entre 74 e 89 por cento das contas de varejo perdem dinheiro, com perda média de 1.600 a 29.000 euros por cliente. Não é uma estimativa de pesquisa, mas o resultado de extratos reais de clientes em empresas supervisionadas. Como referência adicional, o regulador polonês KNF publica todos os anos os resultados realizados dos clientes das corretoras nacionais. O aviso de risco que você vê no site da corretora baseia-se, por sua vez, nos dados atuais dos próprios clientes da empresa, também reportados ao supervisor. Em outras palavras: o número vem de registros de reguladores, não de um folheto publicitário.

Por que a proporção de clientes com prejuízo é tão parecida de um ano para o outro?

Porque as causas das perdas são estruturais, não aleatórias. Quer o mercado suba ou caia em determinado ano, o cliente de varejo começa cada operação com valor esperado negativo: paga o spread, às vezes uma comissão e, nas posições mantidas de um dia para o outro, os pontos de swap. A isso se somam a alavancagem excessiva e o excesso de operações, que multiplicam esses custos. Por isso a distribuição de resultados é estável — nos dados da ESMA de 2018 a proporção de perdas situa-se entre 74 e 89 por cento, e nos dados do regulador polonês KNF, num intervalo estreito de cerca de 71 a 79 por cento. O que muda é quanto cada cliente ganha ou perde em média, mas a proporção de quem termina no azul permanece impressionantemente repetível.

Se a maioria perde, isso significa que lucrar no Forex é impossível?

Não. Os dados dizem que a maioria perde, não que ninguém ganha. Se entre 74 e 89 por cento perdem, então de 11 a 26 por cento ganham. Nos relatórios anuais do regulador polonês KNF há sempre um grupo de clientes que termina o ano no lucro — em 2025 foram 27,8 por cento dos clientes ativos, e em 2024 chegaram a 29,4 por cento. É uma minoria real, não um zero estatístico. A diferença não é que essas pessoas "adivinham o mercado", mas que controlam o risco em cada operação, operam com menos frequência e se apoiam em uma vantagem testada em vez do palpite. Uma estatística descreve uma população, não é um veredicto sobre uma pessoa específica. Sua tarefa não é vencer a média por milagre, mas se colocar deliberadamente no lado que a melhora — com risco baixo, seleção de operações e paciência.

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