O que é um CFD — contrato por diferença em Forex e ações

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Aviso de risco · YMYL Este artigo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui aconselhamento de investimento. Operar no mercado Forex envolve alto risco de perda de capital — a ESMA informa que entre 74% e 89% das contas de investidores de varejo perdem dinheiro.

Um contrato por diferença, comumente abreviado como CFD, é um acordo derivativo que sustenta cerca de noventa por cento do trading de forex de varejo na Europa. Quando um trader diz "comprei um lote de EUR/USD" por meio de uma corretora regulada na UE, ele não passou a ser dono de cem mil euros de fato — abriu um contrato com a corretora, no qual as duas partes liquidam apenas a diferença entre o preço de abertura e o de fechamento do instrumento subjacente. Abaixo eu explico como o contrato funciona na prática.

O que é um CFD em termos jurídicos e econômicos

Um contrato por diferença é um acordo bilateral entre um cliente de varejo e uma corretora, no qual ambas as partes se comprometem a trocar a diferença entre o preço do instrumento subjacente no momento em que a posição abre e o momento em que ela fecha. Se um cliente abre uma posição comprada (long) em EUR/USD a 1.0850 e a fecha a 1.0900, a corretora paga ao cliente cinquenta pips multiplicados pelo tamanho do contrato — ou retira esses recursos do depósito no cenário oposto. Em nenhum momento ocorre uma entrega real de moeda. É isso que distingue um CFD do mercado spot interbancário, onde dois bancos liquidam uma troca física de moeda em T+2.

Economicamente, o efeito para um cliente de varejo é quase indistinguível do trading spot — o preço do CFD acompanha a cotação de mercado, o spread e o slippage (derrapagem de preço) se comportam da mesma forma, e o perfil de lucros e perdas é idêntico. A diferença aparece em três lugares: na mecânica de liquidação (dinheiro, não moeda), no status jurídico do produto (derivativo, não o subjacente) e no alcance da supervisão regulatória (um arcabouço próprio para derivativos de varejo na União Europeia, com proibição total nos Estados Unidos sob as regras da CFTC).

Mecânica das posições comprada e vendida

Um trader que abre uma posição comprada em um lote padrão de EUR/USD a 1.0850 não compra cem mil euros por dólares. A corretora simplesmente registra um contrato no livro do cliente com uma exposição de cem mil euros, bloqueando cerca de três mil e trezentos dólares como margem exigida sob o teto de alavancagem de um para trinta. O restante do valor do contrato é financiado sinteticamente pelo lado da corretora. Se o preço se move para 1.0900, cada pip em um lote cheio vale dez dólares, então fechar a posição gera quinhentos dólares de lucro realizado, creditado na conta na moeda de liquidação dela.

Uma posição vendida (short) em CFD é "natural" de um jeito que a venda a descoberto em um mercado acionário regulado não é — o trader pode vender EUR/USD sem antes tomar emprestado cem mil euros de uma contraparte. A mesma mecânica importa ainda mais nos CFDs sobre ações: vender a descoberto uma única ação numa bolsa regulada exige um empréstimo de papéis, uma taxa de aluguel (borrow fee) e toda a infraestrutura de prime brokerage. Um CFD sobre a mesma ação é apenas um contrato sobre a diferença de preço, então a corretora consegue casar os dois lados sem envolver empréstimo de papéis — e essa é a diferença estrutural fundamental em relação a um ETF, onde o investidor realmente possui cotas de um fundo. Se você quer entender melhor como esses instrumentos se encaixam, vale explorar os fundamentos do mercado antes de partir para casos mais complexos. É uma das principais razões pelas quais as plataformas de CFD ficaram tão populares entre traders de curto prazo — acesso imediato ao lado vendido em qualquer instrumento, de um índice acionário a uma commodity.

Tetos de alavancagem da ESMA e limites de varejo

Desde agosto de 2018, a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) impõe tetos rígidos de alavancagem para clientes de varejo de CFD. Na União Europeia, a alavancagem máxima nos principais pares de moedas — EUR/USD, USD/JPY, GBP/USD e seus pares próximos — é de um para trinta. Em pares secundários e nos principais índices acionários, o teto cai para um para vinte. Commodities e índices menos líquidos ficam em um para dez. Ações individuais têm teto de um para cinco. Criptomoedas, onde os CFDs de varejo sobre elas são sequer permitidos na jurisdição relevante, ficam em um para dois. A Polônia vai além da base da UE — a KNF proibiu por completo a oferta de CFDs sobre criptomoedas a clientes de varejo, independentemente do teto da ESMA.

"Restrições aos CFDs são necessárias porque esses produtos são complexos e arriscados, e a maioria dos clientes de varejo perde dinheiro com eles. Estamos introduzindo limites de alavancagem, proteção contra saldo negativo e um aviso de risco padronizado." — Steven Maijoor, Presidente da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados, 2018

O aviso de risco padronizado que toda corretora europeia de CFD precisa publicar em seu site baseia-se em dados estatísticos que a ESMA reuniu ao longo de 2017 e 2018, quando levantou números de perdas de varejo de mais de cem corretoras. Os resultados ficaram bem agrupados — dependendo da corretora, entre setenta e quatro e oitenta e nove por cento das contas de varejo encerraram o período de referência com prejuízo líquido. Essa faixa é hoje o texto de aviso obrigatório nos materiais promocionais, e o aviso não pode ser removido nem reduzido de tamanho.

Custos de trading — spread, comissão e swap

Um cliente de CFD paga em três frentes. A primeira é o spread, a distância entre o preço de compra e o de venda. No EUR/USD, uma conta ECN normalmente mostra um spread entre 0.1 e 0.17 pip, enquanto uma conta padrão com o mark-up da corretora fica entre 0.8 e 1.2 pip. O segundo custo é a comissão — presente sobretudo em contas ECN, onde o padrão do setor é de três a sete dólares por milhão de giro, por lado. O terceiro, o menos visível para um trader iniciante, é o ponto de swap (rollover / custo de financiamento overnight) cobrado por manter a posição aberta de um dia para o outro.

O ponto de swap reflete o diferencial de taxas de juros entre as duas moedas do par, ajustado pela margem da corretora. Se as taxas do euro estiverem abaixo das do dólar, uma posição comprada em EUR/USD gera um swap negativo — o cliente paga um custo de financiamento. No sentido oposto, o cliente recebe pontos de swap. Nos CFDs sobre ações a mecânica é análoga: uma posição comprada gera um custo de financiamento calculado como a taxa de referência mais o mark-up da corretora, enquanto uma posição vendida pode produzir um carrego positivo ou negativo conforme a taxa de aluguel da ação. Um CFD não dá ao cliente o direito jurídico a um dividendo da ação subjacente, mas a corretora ainda lança o chamado ajuste por dividendo — o CFD comprado recebe um crédito equivalente ao dividendo líquido, enquanto o CFD vendido recebe um débito correspondente na data ex-dividendo.

Proteção contra saldo negativo e o mecanismo de stop out

O segundo pilar da reforma da ESMA de 2018 foi uma proteção obrigatória contra saldo negativo nas contas de varejo de CFD. O gatilho direto havia ocorrido três anos antes — em 15 de janeiro de 2015, o Banco Nacional da Suíça abandonou o piso de 1.20 no EUR/CHF e o franco se valorizou mais de vinte por cento em poucos minutos. Clientes de muitas corretoras terminaram muito abaixo de zero em suas contas, porque com alavancagem de um para duzentos ou mais a fila de stop-loss não conseguia ser executada. Algumas corretoras entraram em liquidação — a Alpari UK foi liquidada — e outras tentaram cobrar o débito residual dos clientes de varejo. Desde 2018, esses desfechos estão legalmente excluídos dentro da União Europeia.

Uma conta de CFD europeia moderna tem agora duas camadas de proteção embutidas. A chamada de margem (margin call) é acionada quando o patrimônio cai a cem por cento da margem exigida — a corretora envia um alerta ao cliente. O stop out (encerramento forçado) é acionado em cinquenta por cento — o sistema liquida automaticamente as posições perdedoras, começando pela maior, até o patrimônio voltar acima do limiar. Se o patrimônio ainda cair abaixo de zero apesar da liquidação automática, a corretora baixa o déficit às suas próprias custas. Do ponto de vista do cliente, isso significa uma garantia firme de nunca sair de uma conta de CFD com uma dívida para a corretora, mesmo nos movimentos de mercado mais extremos. A camada regulatória mais ampla está coberta nos conceitos essenciais do trading.

Tributação dos CFDs e o que vale para você

Os resultados tributários dos CFDs variam por jurisdição, mas algumas regras são comuns. A maior parte dos sistemas classifica o lucro com CFD como ganho de capital, e não como renda de trabalho ou de empresa, com uma alíquota que não se mistura com o salário na declaração principal. A base tributável é o lucro realizado convertido para a moeda local, então operações fechadas numa conta denominada em moeda estrangeira precisam de conversão pela taxa de referência do banco central do dia anterior à operação. Posições abertas no fim do ano não entram no cálculo — só contam as transações encerradas.

No Brasil, o investidor pessoa física que opera com CFD por meio de uma corretora estrangeira costuma apurar o ganho de capital por conta própria, recolhendo o imposto via DARF e mantendo o controle dos resultados mês a mês — a corretora de fora não emite um informe pronto para a Receita Federal. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) alerta repetidamente contra intermediários não autorizados, então verifique sempre o registro do regulador antes de depositar. Em Portugal, o enquadramento recai sobre as Finanças e o IRS. Como as regras e alíquotas dependem da sua situação, consulte um contador para fechar o cálculo corretamente. Quem está começando faz bem em fixar primeiro a base de gestão de risco, porque o resultado tributável só existe quando há lucro a declarar.

Erros mais comuns na primeira conta de CFD

  1. Supor que um CFD sobre ação concede direito a dividendo no sentido clássico — na realidade a corretora apenas lança um ajuste líquido por dividendo, sem qualquer transferência real de propriedade da ação e sem direito a voto na assembleia anual da empresa.
  2. Ignorar o custo de swap em estratégias de posição — um trader que mantém um contrato comprado em EUR/USD por vários meses pode devolver mais em pontos de swap do que o movimento do câmbio gerou, se o diferencial de taxas de juros trabalhar contra a posição.
  3. Esticar ao máximo o teto de alavancagem de um para trinta numa única operação — a conformidade formal com o limite da ESMA não resolve a aritmética subjacente de risco de ruína, que continua valendo mesmo dentro do teto regulatório.
  4. Abrir conta com uma corretora offshore para escapar do teto de alavancagem — esse movimento tira o cliente do alcance da ESMA, mas também o tira da proteção contra saldo negativo, da segregação de recursos do cliente e dos procedimentos de reclamação dos reguladores nacionais.
  5. Pular a declaração anual ao operar com uma corretora não doméstica — a ausência de um informe tributário local não elimina a obrigação de declarar, e os fiscos têm acesso cada vez melhor aos dados do Common Reporting Standard sobre contas transfronteiriças.

O que fazer agora ao abrir sua primeira conta de CFD

  1. Verifique a licença da corretora no registro do regulador competente. Apenas uma corretora autorizada por um regulador nacional — KNF na Polônia, CySEC no Chipre, BaFin na Alemanha, AMF na França, CNMV na Espanha, ou a CVM como referência de checagem no Brasil — opera dentro dos tetos de alavancagem e da proteção contra saldo negativo da ESMA. Confirme o número de registro antes de transferir qualquer valor.
  2. Escolha o tipo de conta com consciência — ECN ou padrão. Uma conta ECN cota um spread mais apertado, mas adiciona uma comissão por giro; uma conta padrão alarga o spread e zera a comissão. Estratégias de curto prazo costumam sair mais baratas na ECN, e as de horizonte mais longo ficam mais simples de acompanhar no modelo padrão. Compare os custos reais com calma antes de decidir.
  3. Rode uma conta demo por duas a quatro semanas antes de ir ao real. A demo não tem o slippage realista nem a pressão emocional de uma conta real, mas permite verificar a mecânica de entrada de ordens, o comportamento das ordens de stop loss e a forma como a corretora calcula os pontos de swap. Essa janela hoje é prática padrão, e eu a recomendo a todo cliente que abre a primeira conta.
  4. Financie a conta com capital que você realmente possa perder. A estatística da ESMA de setenta e quatro a oitenta e nove por cento de contas com prejuízo líquido não é um recurso retórico — é uma norma de setor confirmada empiricamente. Trate os primeiros seis a doze meses numa conta de CFD como capital educacional, e não como capital de investimento. Depois desse período, o saldo, o diário de trading e a qualidade do processo de decisão é que dizem se faz sentido escalar mais, não o saldo corrente por si só.
Jarosław Wasiński
Sobre o autor

Jarosław Wasiński

Editor-chefe do MyBank.pl · Analista financeiro e de mercados

Analista e profissional independente com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro. Fundador e editor-chefe do portal MyBank.pl, em atividade desde 2004. Análise fundamentalista dos mercados de câmbio e macroeconômicos desde 2007. Escreve a partir da perspectiva dos mercados globais, com atenção ao quadro regulatório europeu (ESMA) e brasileiro (CVM).

Fontes e bibliografia

  1. European Securities and Markets Authority ESMA agrees to prohibit binary options and restrict CFDs to protect retail investors · Komunikat ESMA z 27 marca 2018 wprowadzający limity dźwigni dla CFD detalicznych, negative balance protection i obowiązkowe ostrzeżenia o ryzyku. www.esma.europa.eu ↗
  2. European Securities and Markets Authority Notice of ESMA's Product Intervention Renewal Decision in relation to contracts for differences · Decyzja ESMA przedłużająca restrykcje wobec CFD na okres bezterminowy, z potwierdzeniem zakresu produktów objętych limitami dźwigni. www.esma.europa.eu ↗
  3. Komisja Nadzoru Finansowego Ostrzeżenie KNF dotyczące rynku FOREX, w tym CFD na kryptowaluty · Stanowisko KNF dotyczące oferowania CFD na kryptowaluty klientom detalicznym w Polsce oraz wytyczne dla firm inwestycyjnych nadzorowanych przez Komisję. www.knf.gov.pl ↗
  4. Financial Conduct Authority PS19/18: Restricting contract for difference products sold to retail clients · Brytyjski policy statement utrwalający tymczasowe limity ESMA jako stałą regulację FCA po opuszczeniu Unii Europejskiej. www.fca.org.uk ↗

Perguntas frequentes

Um CFD dá direito a um dividendo da ação subjacente?

Não no sentido jurídico. Um CFD é um contrato derivativo, e o cliente não é inscrito no livro de acionistas da empresa, portanto não adquire direito a voto nem direito a um dividendo segundo o direito societário. A corretora, no entanto, lança o chamado ajuste por dividendo — na data ex-dividendo, a conta do CFD comprado recebe um crédito equivalente ao dividendo líquido, enquanto a conta do CFD vendido recebe um débito correspondente. O resultado econômico para o cliente se parece com o de possuir a ação, mas o tratamento fiscal é diferente — o ajuste é tratado como parte do resultado do derivativo, e não como um rendimento clássico de dividendo de um valor mobiliário.

Por que os CFDs são proibidos nos Estados Unidos?

A supervisão norte-americana dos derivativos de varejo cabe à Commodity Futures Trading Commission, e após a crise de 2008 o arcabouço foi endurecido pelo Dodd-Frank Act de 2010. Um CFD é um produto de balcão (OTC), liquidado exclusivamente com a corretora, sem compensação central — e, na ótica da CFTC, não atende aos requisitos de proteção do investidor de varejo nem aos padrões de transparência de um mercado regulado. Os Estados Unidos oferecem, em troca, o mercado de futuros (CME Group), as opções e a negociação de ações tradicionais. O mercado de varejo europeu não dispõe de um acesso equivalente a futuros com depósito mínimo baixo, então os CFDs preenchem essa lacuna para o cliente de capital limitado.

Qual é a diferença entre um CFD e o trading spot interbancário?

Para um cliente de varejo o efeito econômico é quase indistinguível, mas a mecânica de liquidação difere. O spot interbancário significa entrega física de moeda em T+2 — dois bancos de fato trocam euros por dólares à taxa acordada. Um CFD é apenas um contrato sobre a diferença de preço, sem entrega da moeda subjacente em fase alguma. De forma direta: comprar um CFD sobre EUR/USD não lhe dá acesso a cem mil euros, apenas uma exposição econômica ao movimento de preço do par. A segunda diferença é o status jurídico — um CFD é um derivativo de varejo sob a ESMA, enquanto as operações spot interbancárias se enquadram nas regulações de mercado de atacado, às quais um trader de varejo individual não tem acesso direto.

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