A sessão de Londres — por que é o mercado mais profundo do dia

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Aviso de risco · YMYL Este artigo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui aconselhamento de investimento. Operar no mercado Forex envolve alto risco de perda de capital — a ESMA informa que entre 74% e 89% das contas de investidores de varejo perdem dinheiro.

Nos primeiros meses de operações, o Tomek só abria a plataforma à noite, depois de terminar seu trabalho de programador. Ele se perguntava por que suas operações não saíam do lugar enquanto os custos comiam em silêncio os pequenos ganhos. Um dia, por curiosidade, ligou a tela às nove da manhã e encontrou um mercado diferente: o EUR/USD se moveu mais em quinze minutos do que em toda a noite anterior. Foi assim que ele descobriu a sessão de Londres — o trecho mais profundo e movimentado do dia de operações no mercado de moedas.

Por que Londres é o maior mercado de moedas

O mercado de moedas funciona o tempo todo nos dias úteis, mas as operações não se distribuem de forma uniforme ao longo dessas horas. A liquidez viaja com o sol: a Ásia acorda primeiro, depois a Europa entra em cena e, à tarde, a América do Norte se conecta. Entre esses centros, um lidera o campo há décadas — Londres.

A dimensão dessa liderança impressiona. A pesquisa de 2022 do Bank for International Settlements (BIS) mostra que cerca de 38 por cento do volume global de moedas passa pelas mesas do Reino Unido. Em comparação, os Estados Unidos respondem por aproximadamente 19 por cento, Singapura por cerca de 9 por cento, Hong Kong por 7 por cento, a Suíça por 5 por cento e o Japão por pouco mais de 4 por cento. Em outras palavras, um único centro financeiro movimenta uma fatia maior das operações globais de moedas do que Nova York, Singapura e Tóquio juntas.

Essa dominância não surgiu do nada. Ela se apoia num fuso horário conveniente, que se sobrepõe tanto ao fim da sessão asiática quanto ao início da americana, na longa história da City de Londres como polo financeiro e na concentração dos maiores bancos, que mantêm ali suas principais mesas de câmbio. O resultado é que, durante as horas de Londres, o mercado abriga a maior reserva de capital dos dois lados. No Brasil, vale lembrar, o Forex e os CFDs costumam ser acessados por corretoras estrangeiras; a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) alerta repetidamente contra intermediários não autorizados, então verifique sempre o registro do regulador.

As horas da sessão e por que elas se deslocam

Por convenção, a sessão de Londres vai das 08:00 às 17:00 no horário de Londres. Para quem está no Brasil, no horário de Brasília isso corresponde, na maior parte do ano, a aproximadamente das 05:00 às 14:00 (com Londres no horário de verão, das 04:00 às 13:00). Esse "aproximadamente" importa: o Reino Unido e a zona do euro mudam seus relógios em datas um pouco diferentes das de parte do resto do mundo, e o Brasil não adota mais o horário de verão, então, por algumas semanas a cada ano, toda a janela se desloca uma hora.

Por isso, em vez de decorar um horário fixo no relógio, é melhor aprender a reconhecer a sessão pelo comportamento do mercado. Quando as mesas europeias começam a operar, a liquidez e a volatilidade sobem de forma visível — você vê isso com clareza num gráfico de EUR/USD ou GBP/USD. A abordagem mais simples é manter um relógio com o horário de Londres ao lado da plataforma e observar como a primeira hora da manhã europeia muda o ritmo das cotações.

Os pares mais profundos das horas de Londres

Durante as horas de Londres, a maior parte do movimento se reúne em torno de pares nos quais uma das moedas é o euro ou a libra. Três deles se destacam dos demais.

Pares com o mercado mais profundo na sessão de Londres
EUR/USDO par mais líquido do mundo, com o spread mais estreito e os movimentos mais limpos durante as horas europeias.
GBP/USDA libra contra o dólar, conhecida no mercado como "cable". Reage aos dados do Reino Unido e às decisões do Banco da Inglaterra e pode ser mais agitada do que o EUR/USD.
EUR/GBPO euro contra a libra. Atinge sua maior atividade justamente durante as horas de Londres, porque este é o mercado doméstico de ambas as moedas.

Para quem está começando, EUR/USD e GBP/USD são a escolha natural. Carregam os spreads mais estreitos durante o pico das operações e, em geral, os movimentos mais ordenados, então são um lugar mais fácil para aprender a ler um gráfico antes de partir para pares com maior volatilidade. Aprender a interpretar esses conceitos de mercado com calma poupa muito dinheiro mais adiante.

Por que a abertura pode acelerar de forma tão brusca

Ao longo da noite europeia, o mercado costuma flutuar num intervalo estreito. As operações são dominadas pela Ásia, enquanto os maiores participantes da Europa e dos Estados Unidos dormem, e o preço se move com lentidão. Quando as mesas de Londres e Frankfurt se conectam pela manhã, o quadro muda em questão de minutos.

Uma onda de ordens que estavam à espera de liquidez atinge então o mercado: fluxo corporativo sendo executado, fundos montando posições e reações aos dados macroeconômicos divulgados cedo na Europa e no Reino Unido. Essa mudança repentina na profundidade do mercado permite que o preço deixe rapidamente o intervalo da madrugada e estabeleça uma direção para a primeira parte do dia. A primeira hora ou duas após o início da sessão é uma das janelas mais voláteis do dia inteiro.

Do ponto de vista de um observador, parece uma explosão repentina de velocidade, mas, na realidade, é simplesmente o momento em que a maior parte do capital entra em jogo. Vale ter em mente o outro lado dessa moeda: mais volatilidade também significa mais risco, porque o movimento pode ser violento em qualquer direção. Um bom gerenciamento de risco não é opcional nessas horas.

„Londres ainda é o coração do mercado global de moedas, e é a sua sessão que dá o tom de todo o dia de operações." — Kathy Lien, 2016

A sobreposição com Nova York e o fixing das 16:00

A segunda janela-chave chega à tarde. Quando é mais ou menos entre 13:00 e 16:00 no horário de Londres — em torno das 10:00 às 13:00 no horário de Brasília na maior parte do ano —, as operações em Londres ainda estão acontecendo enquanto a sessão americana abre. Essas poucas horas, em que os dois lados do Atlântico operam ao mesmo tempo, são o momento de maior liquidez do dia. Os spreads costumam estar nos seus níveis mais estreitos e os movimentos mais decididos, porque o capital tanto da Europa quanto dos Estados Unidos está no mercado.

Bem no fim do dia londrino, às 16:00 no horário local — cerca das 13:00 no horário de Brasília na maior parte do ano —, há mais um ponto importante: o fixing cambial WM/Reuters. É o momento em que se define uma taxa de referência que fundos, bancos e empresas usam para avaliar carteiras e liquidar transações. Um grande fluxo de ordens institucionais se concentra em torno dessa janela, o que pode mover a taxa de forma perceptível.

Também vale lembrar que as horas de Londres não dizem respeito apenas à sobreposição com a América. Pela manhã, elas se sobrepõem brevemente ao fim das operações asiáticas — esse repasse entre as sessões de mercado tem características próprias que recompensam quem as conhece.

O que fazer agora

  1. Coloque um relógio com o horário de Londres ao lado da plataforma. Adicione um segundo fuso horário para Londres no computador ou no celular, de modo a sempre saber quando a sessão abre e quando se aproxima a sobreposição com Nova York. Isso evitará que você confunda as horas em torno das mudanças de relógio e impedirá que perca as janelas mais profundas do dia, especialmente porque o Brasil não acompanha o horário de verão europeu.
  2. Compare a manhã com a noite no gráfico. Abra o EUR/USD num período de quinze minutos e observe os candles das duas primeiras horas da sessão de Londres e da noite europeia mais avançada. Conte aproximadamente quanto o preço se moveu em cada janela. Você verá por conta própria onde o jogo é de fato disputado e por que a profundidade muda tudo.
  3. Verifique os spreads em horários diferentes. Anote o spread no EUR/USD e no GBP/USD em três momentos: de manhã, na abertura; à tarde, durante a sobreposição; e tarde da noite. Isso lhe mostrará, em preto no branco, quanto custa entrar no mercado fora das horas de Londres e quanto você economiza operando no momento certo.
  4. Planeje as operações em torno do seu dia, e não o contrário. Se você tem um emprego em horário comercial, prepare um cenário à noite e coloque ordens pendentes em níveis escolhidos, em vez de correr atrás do mercado na hora. Deixe que a sessão de Londres execute o plano por você enquanto você está no trabalho, com o stop loss já definido para cada operação.
Jarosław Wasiński
Sobre o autor

Jarosław Wasiński

Editor-chefe do MyBank.pl · Analista financeiro e de mercados

Analista e profissional independente com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro. Fundador e editor-chefe do portal MyBank.pl, em atividade desde 2004. Análise fundamentalista dos mercados de câmbio e macroeconômicos desde 2007. Escreve a partir da perspectiva dos mercados globais, com atenção ao quadro regulatório europeu (ESMA) e brasileiro (CVM).

Fontes e bibliografia

  1. Bank for International Settlements Triennial Central Bank Survey 2022 — geographical distribution of FX turnover · Udziały poszczególnych centrów finansowych w globalnym obrocie walutowym; Wielka Brytania jako największy ośrodek (około 38 procent). www.bis.org ↗
  2. Kathy Lien (Wiley) Day Trading and Swing Trading the Currency Market, 3rd ed. · Charakterystyka sesji londyńskiej, zachowanie zmienności na otwarciu i podczas nakładki z Nowym Jorkiem. www.wiley.com ↗
  3. London Stock Exchange Group (LSEG) WM/Reuters FX Benchmarks — methodology overview · Opis fixingu walutowego o 16:00 czasu londyńskiego (okno fixingu i sposób wyznaczania kursu odniesienia). www.lseg.com ↗

Perguntas frequentes

A que horas exatamente começa a sessão de Londres?

Por convenção, a sessão de Londres vai das 08:00 às 17:00 no horário de Londres, o que corresponde, na maior parte do ano, a cerca das 05:00 às 14:00 no horário de Brasília. O detalhe é que o Reino Unido e a zona do euro mudam seus relógios em datas um pouco diferentes das de parte do resto do mundo, e o Brasil não adota mais o horário de verão, então, por algumas semanas a cada ano, a janela desliza uma hora. Em vez de decorar um horário fixo, é mais confiável observar o comportamento do mercado: a liquidez e a volatilidade sobem de forma visível assim que as mesas europeias entram em operação. A solução mais simples é manter um relógio com o horário de Londres ao lado da plataforma e acompanhar como a primeira hora da manhã europeia muda o ritmo das cotações.

Os spreads são mais estreitos durante a sessão de Londres?

Sim, e de forma perceptível. O spread reflete a profundidade do mercado, e durante as horas de Londres os pares mais líquidos, como EUR/USD e GBP/USD, reúnem a maior pilha de ordens dos dois lados. Na prática, a diferença entre o preço de compra e o de venda é a mais estreita do dia, e costuma ser ainda mais ajustada durante a sobreposição com Nova York. Em comparação, nas horas tranquilas do fim da noite europeia esse mesmo spread pode se alargar várias vezes, simplesmente porque boa parte dos grandes participantes não está operando. Para quem abre e fecha muitas posições num dia, essa diferença no custo de entrar e sair é um dos principais motivos para operar nas horas de Londres.

Por que a primeira hora da sessão de Londres costuma ser tão volátil?

Ao longo da noite europeia, o mercado costuma flutuar num intervalo estreito, porque as operações são dominadas pela Ásia enquanto os maiores participantes da Europa e dos Estados Unidos dormem. Quando as mesas de Londres e Frankfurt se conectam pela manhã, em questão de minutos chega ao mercado uma onda de ordens que esperavam por liquidez: execução de fluxo corporativo, fundos montando posições e reações aos dados macroeconômicos divulgados cedo na Europa e no Reino Unido. Essa mudança repentina na profundidade do mercado permite que o preço deixe rapidamente o intervalo da madrugada e estabeleça uma direção para a primeira parte do dia. Para um observador, parece uma aceleração brusca, mas é simplesmente o momento em que a maior parte do capital entra em jogo.

A sessão de Londres é realista para quem tem um emprego em horário integral?

Em parte. As melhores janelas — a abertura da manhã e a sobreposição da tarde com Nova York — caem em horários em que a maioria das pessoas está trabalhando. No horário de Brasília, a abertura ocorre de madrugada/início da manhã e a sobreposição por volta do meio-dia, o que praticamente descarta acompanhar o gráfico de forma contínua e operar em períodos curtos. Há, porém, outro jeito de trabalhar: à noite você revisa os gráficos já fechados do dia londrino, planeja cenários para o dia seguinte e coloca ordens pendentes em níveis específicos, em vez de ficar diante da tela. Aí é o mercado que executa o plano por você. Esse modo, baseado na preparação da véspera e em ordens pendentes, é realista para quem tem um dia de trabalho normal e permite aproveitar a energia da sessão de Londres sem abrir mão do emprego.

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