Padrão Butterfly — formação harmônica X-A-B-C-D com ponto D além de X

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O Butterfly é uma formação harmônica de reversão cujo nome e formato geral foram popularizados pelo analista australiano Bryce Gilmore, enquanto suas proporções rigorosas de Fibonacci foram atribuídas por Scott Carney. Sua marca registrada é um ponto D que cai além do ponto X — o lugar onde o preço ultrapassa seu movimento original e se esgota. É exatamente isso que separa o Butterfly do mais tranquilo Gartley. A seguir, explico como reconhecê-lo e como operá-lo.

O que é o padrão Butterfly e de onde ele veio

O Butterfly é uma formação de cinco pontos rotulados X-A-B-C-D. A ideia partiu de Bryce Gilmore, que estudou relações geométricas em gráficos na década de 1990, mas a definição moderna rigorosa, com números concretos, deve-se a Scott Carney e à sua família de padrões harmônicos. O Butterfly é tratado como uma formação de exaustão de tendência: ele aparece no fim de um movimento esticado, quando o mercado faz um último impulso e retorna.

Ele é melhor compreendido como parte de uma lógica mais ampla. Se você está começando, percorra primeiro as estratégias de negociação que se apoiam em padrões — todas repousam sobre as mesmas relações entre as pernas e diferem apenas em seus níveis de retração e extensão. O Butterfly é uma das duas variantes em que a entrada cai além do ponto X.

Estrutura e níveis de Fibonacci

"Os padrões harmônicos identificam relações de preço usando a análise de proporções de Fibonacci para definir pontos de virada precisos no mercado." — Scott M. Carney, Harmonic Trading, Volume One, Pearson, 2010

A formação tem cinco pontos unidos por quatro pernas: X-A, A-B, B-C e C-D. A perna X-A é o movimento inicial mais longo, que define toda a amplitude do padrão. A perna A-B é a primeira correção e encerra o ponto B exatamente na retração 0.786 da perna XA — o nível obrigatório e definidor do Butterfly. Se o ponto B cair em qualquer outro lugar, você normalmente está diante de uma formação harmônica diferente, e não de um Butterfly.

Em seguida vem a perna B-C, que retrai entre 0.382 e 0.886 da perna AB — uma faixa mais livre, que dá flexibilidade à formação. O coração do Butterfly é o segmento final, a perna C-D. O ponto D deve se completar na extensão de 1.272 a 1.618 da perna XA, e o número mais importante aqui é 1.272. No mesmo ponto você normalmente encontra uma extensão entre 1.618 e 2.618 da perna B-C, junto de uma estrutura AB=CD, a igualdade das amplitudes das pernas medida a partir do fim. Essa convergência marca a potencial zona de reversão. Para traçá-la, você recorre às mesmas ferramentas de análise técnica baseadas em extensões e retrações de Fibonacci, que ensinam a lógica das correções.

Exemplo hipotético — Butterfly de alta no EUR/USD (valores ilustrativos)
Ponto Xfundo do movimento inicial, em 1.1000
Ponto Atopo da perna X-A em 1.1300 (uma perna de 300 pips)
Ponto Buma retração 0.786 da perna XA, perto de 1.1064
Ponto Cum repique até 0.618 da perna AB, perto de 1.1210
Ponto D — entradaa extensão 1.272 da perna XA abaixo de X, perto de 1.0918, onde a extensão B-C se completa

Como reconhecer a formação passo a passo

Passo 1 — encontre a perna inicial X-A

Comece com um movimento de impulso limpo: o ponto X é o seu começo e o ponto A é o seu fim. Quanto mais clara for a perna X-A, mais confiável será cada medição posterior — em um mercado lateral e errático, o Butterfly não se forma, porque não há um movimento claro a ser ultrapassado.

Passo 2 — confirme a correção B em 0.786

Verifique se a perna A-B encerra o ponto B exatamente na retração 0.786 da perna XA. Esse nível é obrigatório — não 0.5 e nem 0.618. Se a correção for mais rasa, é mais provável que você esteja diante de um padrão Gartley ou de um padrão Bat, nos quais o ponto B cai mais alto.

Passo 3 — trace o ponto D além do ponto X

Você aceita o ponto D apenas quando a extensão de 1.272 a 1.618 da perna XA coincide com a extensão B-C e, em um cenário ideal, com a igualdade AB=CD. Lembre-se de que o ponto D fica além do ponto X — ele é o extremo de toda a estrutura e a sua entrada, não o ponto C.

Entrada, stop e alvos — um exemplo hipotético

Pegue o cenário da tabela acima. Assim que o ponto D se completar perto de 1.0918, não entre às cegas no nível de Fibonacci — espere a confirmação do preço, como um candle de reversão na zona D ou uma divergência em um oscilador, e só então abra a posição comprada (long). O stop fica logo além do ponto D, o extremo de toda a formação, deixando alguns pips de folga para o pavio que costuma testar esse nível.

Defina os alvos de forma conservadora ao longo da perna C-D: o primeiro take profit (realização de lucro) é a sua retração de 38.2 por cento, o segundo em torno de 61.8 por cento. Como o risco a partir do ponto D tende a ser pequeno e o repique grande, a relação risco-retorno costuma ficar favorável. Os valores acima são, contudo, ilustrativos — eles mostram a lógica da formação, não uma previsão de preço.

Os erros mais comuns ao operar o Butterfly

  1. Aceitar o ponto B em 0.618 em vez da retração obrigatória de 0.786 da perna XA — isso já é uma formação diferente, normalmente um Gartley.
  2. Confundir o Butterfly com o Crab e esperar o ponto D lá longe, na extensão 1.618 da perna XA, quando o Butterfly normalmente se completa em 1.272.
  3. Entrar antes de o ponto D se completar, operando no meio da perna C-D apenas com o palpite de que o mercado vai virar.
  4. Colocar o stop apertado demais, bem em cima do ponto D — o extremo costuma ser testado por pavios, então deixe um pouco de folga.
  5. Entrar no próprio nível de Fibonacci em vez de esperar um candle ou uma divergência que confirme a reação do preço.

O Butterfly diante do Gartley, do Bat e do Crab

Toda a família harmônica repousa sobre o mesmo esqueleto X-A-B-C-D, e as diferenças se resumem a dois níveis: a profundidade da correção B e o ponto onde D se completa. No Gartley, o ponto B cai em 0.618 e o ponto D em 0.786 da perna XA, ainda dentro do movimento inicial. No Bat, a correção B é mais rasa (entre 0.382 e 0.500), enquanto o ponto D vai mais fundo, até 0.886 — mesmo assim, sem romper o ponto X. O Butterfly é o primeiro a passar além de X: ponto D na extensão 1.272 da perna XA. O Crab segue o mesmo caminho ainda mais adiante, até a extensão 1.618. Quanto mais fundo fica o ponto D, mais forte é a ultrapassagem que a formação tenta capturar, e mais importante se torna esperar pacientemente pela confirmação.

Para quem é este padrão e a sua subjetividade

Sejamos honestos: o Butterfly não é uma formação de iniciante e não é um sinal objetivo. Dois traders podem marcar os pontos X-A-B-C em lugares ligeiramente diferentes e chegar a duas zonas D distintas — razão pela qual os próprios defensores da abordagem harmônica admitem tolerâncias de alguns por cento em torno dos números "ideais". Isso não é um defeito que se possa remover, mas uma característica de um método construído sobre geometria. Quanto mais rigorosos forem os critérios que você se impõe, e quanto mais consistentemente você esperar pela confirmação do preço, menos essa subjetividade vai prejudicá-lo. Antes de recorrer ao Butterfly em uma conta real, ganhe um domínio sólido das formações mais simples e dos conceitos de análise gráfica por trás delas. Para aprofundar, você também pode estudar a análise técnica em maior detalhe. Trate-o como um instrumento complementar, não como um sistema autônomo.

O que fazer agora para começar a aprender o padrão Butterfly

  1. Abra o TradingView no EUR/USD no tempo gráfico de uma hora e revise movimentos recentes que sejam claros e esticados, marcando os pontos X-A-B-C um a um — esse exercício ensina você a enxergar o contexto de exaustão de tendência antes mesmo de qualquer ponto D operável além de X aparecer.
  2. Em cada candidato, use a ferramenta de Fibonacci para checar duas coisas ao mesmo tempo: se o ponto B cai exatamente na retração 0.786 da perna XA e se o ponto D se completa perto da extensão 1.272 da perna XA, porque só esses dois números juntos confirmam um Butterfly genuíno, e não a sua mera aparência.
  3. Monte um diário simples em uma planilha com colunas para as proporções de cada perna, a entrada no ponto D, o stop loss logo além dele e a relação risco-retorno alcançada, e preencha-o depois de cada operação na conta demo, para que você veja o que realmente funciona.
  4. Coloque um alerta de preço na extensão 1.272 da perna XA em um par que você acompanha, em vez de ficar horas encarando o gráfico — quando o preço chegar à zona D, você poderá avaliar com calma se um candle de reversão ou uma divergência está confirmando a entrada, ou se é melhor pular o cenário.
  5. Complete pelo menos vinte operações em conta demo usando exclusivamente o Butterfly, documentando cada uma com o seu resultado — só uma taxa de acerto repetível nessa formação de nicho e subjetiva justifica levá-la para uma conta real.
Jarosław Wasiński
Sobre o autor

Jarosław Wasiński

Editor-chefe do MyBank.pl · Analista financeiro e de mercados

Analista e profissional independente com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro. Fundador e editor-chefe do portal MyBank.pl, em atividade desde 2004. Análise fundamentalista dos mercados de câmbio e macroeconômicos desde 2007. Escreve a partir da perspectiva dos mercados globais, com atenção ao quadro regulatório europeu (ESMA) e brasileiro (CVM).

Fontes e bibliografia

  1. HarmonicTrader.com (Scott Carney) The Butterfly Pattern — official definition · Carney's own definition of the Butterfly: the mandatory 0.786 retracement of the XA leg at point B and the critical 1.27 XA projection at point D, complemented by an extreme 2.00–2.618 BC projection harmonictrader.com ↗
  2. HarmonicTrader.com (Scott Carney) The Gartley Pattern — official definition · Carney's definition of the Gartley, used for contrast: the 0.618 B retracement and the 0.786 XA completion at point D that stays inside the XA leg, unlike the Butterfly harmonictrader.com ↗
  3. HarmonicTrader.com (Scott Carney) Harmonic patterns overview · Index of the full Carney harmonic family (Gartley, Bat, Butterfly, Crab, Deep Crab, Shark, 5-0) giving context for where the Butterfly sits as an extended reversal beyond point X harmonictrader.com ↗

Perguntas frequentes

Como o padrão Butterfly difere do Gartley?
Ambas as formações compartilham a mesma estrutura de cinco pontos X-A-B-C-D e ambas foram codificadas com proporções de Fibonacci por Scott Carney, mas diferem no lugar onde o ponto D se completa. No Gartley, o ponto D para dentro da perna inicial, na retração 0.786 da perna XA, de modo que o preço não rompe o ponto X original — é uma formação de continuação depois de uma correção. No Butterfly, o ponto D corre bem além do ponto X, até a extensão de 1.272 a 1.618 da perna XA, capturando o momento em que o mercado ultrapassa seu movimento e se esgota. A segunda diferença diz respeito à correção B: no Butterfly ela cai na retração mais profunda de 0.786 da perna XA, ao passo que no Gartley fica na mais rasa de 0.618. O teste mais simples: se a entrada fica dentro da perna XA, você tem um Gartley; se cai além do ponto X, você tem um Butterfly.
Como o padrão Butterfly difere do Crab?
O Butterfly e o Crab são parentes próximos, porque ambas as formações se completam além do ponto X — em ambas, o preço rompe o início do movimento inicial. O que os separa é a profundidade do ponto D. No Butterfly, o ponto D cai na extensão de 1.272 a 1.618 da perna XA, e o número mais importante aqui é 1.272. No Crab, a conclusão é bem mais profunda e o ponto D alcança a extensão 1.618 da perna XA, confirmada ainda por uma extensão extrema entre 2.618 e 3.618 da perna BC. O Crab é, portanto, uma versão mais extrema e mais apertada da mesma lógica de ultrapassagem. Eles também diferem na correção B: no Butterfly é sempre 0.786 da perna XA, enquanto o Crab usa a faixa mais rasa de 0.382 a 0.618. Na prática, lembre-se de um número: 1.272 é um Butterfly, 1.618 é um Crab.
Como operar o padrão Butterfly — entrada, stop e alvos?
A entrada fica na zona de reversão no ponto D, onde a extensão de 1.272 a 1.618 da perna XA coincide com uma extensão entre 1.618 e 2.618 da perna B-C e, muitas vezes, com uma estrutura AB=CD. Você não entra, porém, no próprio nível de Fibonacci — espere a confirmação do preço, como um candle de reversão ou uma divergência de oscilador na zona D. O stop loss fica logo além do ponto D, o extremo de toda a estrutura, deixando alguns pips de folga para o pavio que costuma testar esse nível. Os alvos são definidos de forma conservadora ao longo da perna C-D: o primeiro take profit é a sua retração de 38.2 por cento, o segundo em torno de 61.8 por cento. Como o risco a partir do ponto D tende a ser pequeno e o repique grande, a relação risco-retorno costuma ficar favorável. Trate cada número como ilustrativo, e não como uma previsão de preço.

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