Vendas no varejo nos EUA — como movem o dólar

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Aviso de risco · YMYL Este artigo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui aconselhamento de investimento. Operar no mercado Forex envolve alto risco de perda de capital — a ESMA informa que entre 74% e 89% das contas de investidores de varejo perdem dinheiro.

Por volta do meio de cada mês, às oito e meia da manhã no horário do leste dos Estados Unidos, a agência estatística americana anuncia quanto dinheiro os consumidores gastaram nas lojas. Soa como um detalhe para economistas, mas, para o mercado de câmbio, é um dos sinais mais importantes sobre a saúde da maior economia do mundo. As vendas no varejo falam diretamente daquilo que mais movimenta essa economia — a carteira do americano comum.

O que as vendas no varejo realmente medem

As vendas no varejo (retail sales) são uma medida mensal do valor dos bens, e de alguns serviços, que os consumidores americanos compram em lojas, restaurantes, concessionárias de automóveis, postos de combustível e varejistas online. São publicadas pelo Census Bureau, a agência estatística dos Estados Unidos, em um relatório chamado Advance Monthly Retail Trade Report. A palavra "advance" no título importa: trata-se de uma estimativa inicial e rápida, depois revisada à medida que chegam dados mais completos das empresas.

O número que você vê no calendário econômico costuma ser a variação mês a mês (MoM) expressa em porcentagem. Uma leitura de meio por cento significa que os americanos gastaram meio por cento a mais naquele mês do que no anterior. Os dados são ajustados sazonalmente para que a correria das compras de fim de ano em dezembro ou as férias de verão não distorçam o quadro — comparamos o mês atual com o anterior, não um dezembro bruto isolado contra novembro.

Por que o consumidor é dois terços da economia

A chave para entender por que essa divulgação importa para o mercado de câmbio está na estrutura da economia americana. O consumo das famílias responde por cerca de dois terços do produto interno bruto nos Estados Unidos. Isso quer dizer que, quando o consumidor americano compra, a economia cresce; e, quando ele aperta o cinto, o motor começa a engasgar. Nenhum outro componente isolado pesa tanto quanto o consumo privado.

As vendas no varejo são a janela mais rápida disponível para essa parte mais importante da economia. O quadro completo do crescimento — a leitura do produto interno bruto e o calendário econômico — só aparece algumas semanas depois do fim do trimestre e é uma soma de dados bem mais antigos. As vendas no varejo chegam todo mês e dizem, aqui e agora, se o motor está acelerando ou desacelerando. Por isso os investidores as tratam como um pulso mensal da demanda americana e as contam entre as divulgações centrais que vale conhecer de cor.

„O consumo das famílias responde por cerca de dois terços da atividade econômica, então qualquer relatório que meça a força do consumidor carrega muito peso para os mercados." — Kathy Lien, 2016

A grupo de controle, ou o sinal mais limpo

Os observadores experientes não olham apenas para o número de manchete. O relatório completo tem várias camadas, e a mais importante delas é chamada de grupo de controle. São as vendas no varejo depois de retirados os quatro componentes mais voláteis: automóveis, combustível, materiais de construção e serviços de alimentação.

Esses quatro são excluídos por um motivo. As vendas de carros podem saltar ou despencar de um mês para o outro e distorcer fortemente a manchete. O valor do combustível muda sobretudo com o preço do petróleo, e não com a força genuína do consumidor. Os materiais de construção dependem do clima e do ciclo da construção civil. Retirado esse ruído, o que resta é um retrato mais nítido de quanto o americano médio está de fato gastando. O grupo de controle importa também por uma razão mais técnica: é justamente a medida que alimenta o cálculo do produto interno bruto. Por isso, para o mercado, ele pode pesar mais do que a própria manchete — uma manchete forte impulsionada apenas por um salto no preço dos combustíveis pode revelar-se fraca quando você olha dentro do grupo de controle.

Como a leitura se traduz no dólar

O mecanismo que liga as vendas no varejo ao dólar passa pelas expectativas quanto às taxas de juros do Federal Reserve. Uma demanda forte do consumidor sustenta o crescimento, mas, ao mesmo tempo, alimenta a pressão sobre os preços. Quando o consumidor gasta com vigor, o Fed tem menos motivo para se apressar em cortar juros — pode manter a política restritiva por mais tempo. Juros mais altos, por sua vez, atraem capital em busca de rendimento, o que costuma apoiar o dólar.

Funciona também no sentido inverso. Uma leitura claramente mais fraca sugere que o consumidor está recuando, que a economia perde fôlego e que o banco central pode ser forçado a afrouxar a política para sustentá-la. Essa perspectiva costuma enfraquecer a moeda. Como em toda divulgação macro, o que importa para o mercado não é o número em si, mas a diferença entre ele e a previsão dos analistas — um resultado acima do esperado apoia o dólar, enquanto um bem abaixo o enfraquece. O princípio de que o mercado precifica a surpresa, e não o valor em si, faz parte da base de conceitos que todo operador precisa dominar.

Por que a reação costuma ser menor do que poderia

Embora as vendas no varejo carreguem grande peso econômico, seu efeito sobre a cotação costuma ser menor do que o das duas divulgações mais barulhentas do mês — o relatório de empregos não agrícolas (NFP) e a leitura da inflação (CPI). Isso decorre da natureza dos dados. As vendas no varejo são muito voláteis e revisadas com frequência, de modo que o mercado trata uma leitura isolada com certa cautela e espera para ver se os meses seguintes a confirmam.

Isso não torna a divulgação irrelevante. Quando uma leitura se afasta com clareza da previsão, ou quando muda toda a narrativa sobre a economia — por exemplo, como o primeiro sinal firme de que o consumidor começa a enfraquecer —, a reação pode ser significativa e o movimento nos pares com o dólar, pronunciado. Ela atua com mais força quando a manchete e o grupo de controle dizem a mesma coisa, porque então o quadro é inequívoco. Quando se separam, o mercado espera confirmação e reage com mais cautela — uma postura que se apoia em boa gestão de risco diante de eventos de calendário.

O que fazer agora

  1. Encontre a próxima divulgação no calendário. Abra qualquer calendário econômico, ajuste o fuso horário para o seu local e procure as vendas no varejo dos EUA por volta do meio do mês, às oito e meia da manhã no horário do leste. Anote a data para que ela não o pegue de surpresa enquanto você mantém uma posição aberta.
  2. Aprenda a ler as três camadas do relatório. Na próxima leitura, confira lado a lado a manchete, as vendas sem automóveis e o grupo de controle. Repare se elas dizem a mesma coisa — são elas que decidem se o sinal é limpo ou misto, e essa distinção muda completamente como você interpreta o dado.
  3. Compare o resultado com a previsão, não com zero. Antes de julgar uma leitura como boa ou ruim, coloque o valor efetivo contra o consenso dos analistas que aparece no calendário. Só essa diferença lhe diz se o consumidor surpreendeu o mercado ou apenas confirmou as expectativas já precificadas.
  4. Mantenha seu risco longe do minuto da divulgação. Se você está apenas começando, não coloque ordens a mercado na janela imediatamente antes e logo depois do número, porque o spread se alarga e o slippage aumenta. Espere a primeira reação esfriar e só então avalie a direção do movimento.
Jarosław Wasiński
Sobre o autor

Jarosław Wasiński

Editor-chefe do MyBank.pl · Analista financeiro e de mercados

Analista e profissional independente com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro. Fundador e editor-chefe do portal MyBank.pl, em atividade desde 2004. Análise fundamentalista dos mercados de câmbio e macroeconômicos desde 2007. Escreve a partir da perspectiva dos mercados globais, com atenção ao quadro regulatório europeu (ESMA) e brasileiro (CVM).

Fontes e bibliografia

  1. U.S. Census Bureau Advance Monthly Sales for Retail and Food Services · oficjalny raport sprzedaży detalicznej: metodologia, definicja grupy kontrolnej, harmonogram publikacji i konwencja zmiany miesiąc do miesiąca www.census.gov ↗
  2. U.S. Bureau of Economic Analysis Personal Consumption Expenditures and the share of GDP · udział wydatków konsumpcyjnych w amerykańskim PKB i rola sprzedaży detalicznej jako składowej wzrostu www.bea.gov ↗
  3. Kathy Lien Day Trading and Swing Trading the Currency Market · rola danych o konsumencie i wskaźników makro w reakcji rynku walutowego, wyd. Wiley 2016 www.wiley.com ↗

Perguntas frequentes

O que exatamente as vendas no varejo dos EUA medem?

É o valor mensal dos bens, e de alguns serviços, que os consumidores americanos compram em lojas físicas e online, restaurantes, concessionárias de automóveis e postos de combustível. É publicado pelo Census Bureau, a agência estatística dos EUA, no Advance Monthly Retail Trade Report por volta do meio do mês, às oito e meia da manhã no horário do leste. O resultado costuma ser dado como variação mês a mês (MoM) em porcentagem — uma leitura de meio por cento significa que os consumidores gastaram meio por cento a mais do que no mês anterior. Os dados são ajustados sazonalmente para que períodos como as festas de fim de ano ou o verão não distorçam a comparação. A palavra "advance" no nome lembra que se trata de uma estimativa inicial, revisada depois à medida que chegam mais relatórios das empresas.

O que é o grupo de controle e por que o mercado o observa mais de perto?

O grupo de controle (control group) são as vendas no varejo depois de retirados os quatro componentes mais voláteis: automóveis, combustível, materiais de construção e serviços de alimentação. Esses elementos são excluídos porque podem distorcer fortemente a manchete por motivos que nada têm a ver com a força genuína do consumidor — as vendas de carros saltam de um mês para o outro, o valor do combustível depende sobretudo do preço do petróleo, e os materiais de construção dependem do clima e do ciclo do setor. Retirado esse ruído, resta um retrato mais nítido de quanto o americano médio está de fato gastando. O grupo de controle importa também por uma razão técnica: é justamente a medida que alimenta o cálculo do produto interno bruto. Por isso, para o mercado, ele pode pesar mais do que a própria manchete — uma manchete forte impulsionada apenas por um salto nos preços do combustível pode revelar-se fraca quando você olha dentro do grupo de controle.

Como uma leitura forte ou fraca se traduz no dólar?

Pelas expectativas quanto às taxas de juros do Federal Reserve. Uma demanda forte do consumidor sustenta o crescimento, mas também alimenta a pressão sobre os preços, de modo que o Fed tem menos motivo para se apressar em cortar juros e pode manter a política restritiva por mais tempo. Juros mais altos atraem capital em busca de rendimento, o que costuma apoiar o dólar. Uma leitura claramente mais fraca funciona ao contrário — sinaliza que o consumidor está recuando e que o banco central pode ser forçado a afrouxar a política, o que enfraquece a moeda. Como em toda divulgação macro, o que importa para o mercado não é o número em si, mas a diferença entre ele e a previsão dos analistas. Um resultado acima do esperado apoia o dólar, um bem abaixo o enfraquece, e a magnitude do movimento cresce com o tamanho da surpresa.

Por que a reação às vendas no varejo costuma ser menor do que ao NFP ou à inflação?

Porque os próprios dados são muito voláteis e revisados rotineiramente, de modo que o mercado trata uma leitura isolada com cautela e espera para ver se os meses seguintes a confirmam. O relatório de empregos não agrícolas (NFP) e a leitura da inflação (CPI) são, para o Fed, uma medida direta de seu duplo mandato, e por isso costumam provocar uma reação mais violenta. Isso não torna as vendas no varejo irrelevantes. Quando uma leitura se afasta com clareza da previsão, ou quando muda toda a narrativa sobre a economia — por exemplo, como o primeiro sinal firme de que o consumidor começa a enfraquecer —, o movimento nos pares com o dólar pode ser significativo. Atua com mais força quando a manchete e o grupo de controle dizem a mesma coisa, porque então o quadro é inequívoco; quando se separam, o mercado espera confirmação e reage com mais cautela.

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