Imposto sobre Forex em corretora estrangeira — por que não chega informe e como apurar

Última verificação: · Revisão trimestral
Aviso de risco · YMYL Este artigo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui aconselhamento de investimento. Operar no mercado Forex envolve alto risco de perda de capital — a ESMA informa que entre 74% e 89% das contas de investidores de varejo perdem dinheiro.

Rafael operou por duas contas em paralelo durante 2025 — uma corretora brasileira que negocia ações e uma corretora estrangeira de Forex e CFD. No início de fevereiro de 2026 ele recebeu da corretora brasileira o informe de rendimentos, com tudo já calculado. Da corretora estrangeira não chegou nada, porque nenhuma corretora de fora do país é obrigada a emitir um informe brasileiro. São dois mundos contábeis diferentes, e a Receita Federal cobra a apuração dos dois. Neste artigo explico como funciona o informe, por que a ausência dele não isenta ninguém do imposto, e como você mesmo apura o ganho quando as operações liquidam em dólar ou euro.

O que é o informe de rendimentos e quem o emite

O informe de rendimentos é um documento anual que uma corretora ou instituição financeira no Brasil envia ao cliente — e cujos dados também alimentam o sistema da Receita Federal. Ele consolida o que a instituição efetivamente registrou: posições, proventos, eventuais retenções na fonte. A corretora brasileira costuma disponibilizá-lo no início do ano seguinte, para que o investidor pessoa física use os números ao preencher a declaração de ajuste anual do IRPF.

O ponto que confunde quem opera Forex é que esse informe não cobre tudo. Operações em bolsa e renda variável no Brasil têm um regime próprio, com apuração mensal e o DARF emitido pelo próprio investidor; já as aplicações em renda fixa frequentemente têm imposto retido na fonte e aparecem prontas no informe. Forex e CFD acessados por corretora estrangeira não entram em nenhum desses informes brasileiros — simplesmente porque a corretora não responde à legislação tributária do Brasil.

Corretoras estrangeiras não emitem informe brasileiro. Uma corretora com licença na Europa, na Austrália ou em Chipre presta contas apenas ao regulador do país onde está constituída. O residente fiscal no Brasil precisa apurar o resultado de cada conta no exterior por conta própria, a partir dos extratos da corretora. Como a regra muda conforme a estrutura de cada operação, em caso de dúvida consulte um contador antes de declarar.

Como ler o informe da corretora brasileira corretamente

A corretora brasileira disponibiliza o informe no portal do cliente, em PDF. Mas baixar o arquivo é só metade do trabalho — os números precisam ser conferidos contra o seu próprio registro de operações, porque o que o investidor pessoa física é obrigado a declarar nem sempre coincide com o que aparece pronto.

Duas armadilhas se repetem todo ano. Primeira: o informe registra apenas o que a instituição conhece, então uma posição mantida em conta no exterior não aparece em informe nenhum. Segunda: custos que a corretora não registrou (cursos, ferramentas analíticas, servidores virtuais) não entram automaticamente. Você pode considerá-los na apuração, mas precisa de notas fiscais em seu nome com ligação clara à atividade de trading. Se a dedutibilidade for incerta no seu caso, consulte um contador.

O que normalmente se encontra no informe de uma corretora brasileira para 2025 — exemplo ilustrativo
Rendimentos sujeitos a tributação exclusivavalores com imposto já retido na fonte, prontos para transcrição
Rendimentos isentos e não tributáveisproventos e operações enquadradas como isentas no período
Posição de ativos em 31/12saldo de ativos a informar na ficha de bens e direitos
O que NÃO apareceresultados de Forex e CFD em corretora estrangeira — apuração 100% por sua conta

O informe capta apenas o que passou pela instituição que o emitiu. Se você mantém uma conta de renda variável no Brasil ao lado de uma conta de Forex no exterior, recebe o informe de uma e nada da outra — mas a declaração de ajuste anual é uma só, e nela convivem os dois mundos. Para entender o regime geral de tributação do trader, vale revisar os materiais sobre impostos e declaração antes de montar a sua planilha.

Corretora estrangeira — o que fazer sem informe brasileiro

Não receber informe não significa não dever imposto. O residente fiscal no Brasil é tributado pela renda mundial: o ganho de capital obtido na alienação de ativos no exterior entra na apuração, independentemente de a corretora ter prestado contas a algum órgão brasileiro. O mecanismo geral é o ganho de capital sobre operações realizadas no exterior, apurado pelo próprio contribuinte. As alíquotas e os limites de isenção dependem da sua situação específica — não invento números aqui; confirme com um contador o enquadramento correto.

"A ausência de um informe da corretora nunca foi sinônimo de ausência de imposto. Quem opera por uma corretora fora do país é, ao mesmo tempo, o trader e o seu próprio departamento fiscal." — Jarosław Wasiński, 2026

Encerrado o ano, você baixa o extrato anual da corretora com todas as operações fechadas — alguns chamam de Statement of Account, outros de Annual Report ou Activity Statement. O arquivo (CSV ou PDF) lista as datas de abertura e fechamento, a moeda de liquidação, o resultado na moeda da conta e as comissões. Em CFD de câmbio, a moeda de liquidação costuma ser o dólar ou o euro — nunca o real.

Cada resultado precisa ser convertido para reais. A apuração de ganho de capital no exterior segue o critério da legislação para conversão de moeda estrangeira em real, e há regras específicas conforme a origem dos recursos usados na operação. Em vez de aplicar um único câmbio para o ano inteiro — atalho que uma fiscalização pode questionar —, registre a data de cada operação fechada e a respectiva cotação. Quando o ganho mensal apurado for tributável, o imposto costuma ser recolhido por DARF; aplicativos como o programa de ganhos de capital (GCAP) e o programa de carnê-leão existem justamente para organizar esse cálculo. Qual deles se aplica ao seu caso é, de novo, conversa para um contador.

Combinando o informe brasileiro com a sua própria planilha

Quem mistura uma conta no Brasil com uma conta no exterior tem o maior trabalho na virada do ano. Os números do informe brasileiro entram na declaração de ajuste praticamente prontos. Tudo o que vem da corretora estrangeira precisa ser convertido para reais, apurado mês a mês e levado às fichas corretas da declaração — sem somar de forma indistinta resultados que pertencem a regimes diferentes.

O método prático: numa planilha, liste cada operação fechada no exterior (data de fechamento, moeda, resultado nessa moeda, cotação do dia, resultado em reais). Some por mês, porque a apuração de ganho de capital é mensal e o recolhimento via DARF acompanha esse ritmo. Os valores do informe brasileiro seguem o regime próprio deles. O atalho de um câmbio único anual não corresponde à regra e pode precisar ser defendido numa fiscalização.

Combinando duas contas numa declaração para 2025 — exemplo ilustrativo, sem alíquotas inventadas
Corretora brasileira (renda variável)resultado conforme o informe e a apuração mensal própria do regime de bolsa
Corretora estrangeira (Forex/CFD)lucro anual em dólar, convertido operação a operação para real
Onde cada um entrafichas distintas da declaração — não se somam num único campo
Recolhimento do exteriorganho de capital apurado por mês, DARF quando devido
Alíquotas e isençõesdependem do seu caso — confirme com um contador, não use percentuais de ouvir dizer

As consequências de omitir uma conta no exterior são mais pesadas hoje do que há uma década. O Brasil participa do intercâmbio automático de informações financeiras sob o padrão CRS (Common Reporting Standard) da OCDE desde 2017, trocando dados de saldos de contas com mais de cem jurisdições. A Receita Federal pode receber dados da sua conta na corretora estrangeira antes mesmo de você começar a preencher a declaração. Para dimensionar quanto disso é risco evitável, ajuda olhar o tema pela lente da gestão de risco: o custo de uma autuação é parte do risco da operação.

Erros comuns na hora de declarar

Depois de muitos anos acompanhando o trader pessoa física acertar as contas com o fisco, os mesmos erros voltam toda primavera fiscal. Todos custam dinheiro, e vários custam noites mal dormidas durante a fiscalização que vem depois.

  1. Achar que sem informe não há imposto. A obrigação existe independentemente de a corretora reportar. Quem opera por uma corretora fora do país tem de apurar e recolher por conta própria.
  2. Converter o ano inteiro por um único câmbio. A apuração de ganho de capital no exterior tem critério próprio de conversão, operação a operação. Um câmbio único pode ser rejeitado numa revisão.
  3. Ignorar custos dedutíveis. Assinatura do TradingView, servidor virtual, dados de mercado podem entrar como custo da atividade — desde que você guarde a nota fiscal em seu nome e demonstre a ligação com o trading. Em caso de dúvida sobre o que deduzir, consulte um contador.
  4. Misturar regimes diferentes num só campo. Renda variável no Brasil e ganho de capital no exterior são apurados separadamente. Jogar tudo num campo só distorce a declaração.
  5. Jogar fora os extratos depois de declarar. A Receita pode pedir documentos por anos. Um extrato de 2025 precisa continuar acessível por todo o prazo de guarda — e o prazo exato você confirma com um contador.

Boa parte desses tropeços nasce antes da declaração, na escolha de onde operar. Antes de abrir conta, verificar a regulação e a estrutura da corretora evita descobrir só em abril que a apuração inteira ficou nas suas costas.

O que fazer agora

  1. Baixe todos os extratos anuais das suas corretoras referentes a 2025. Da corretora brasileira, guarde o informe de rendimentos em PDF; de cada corretora estrangeira, baixe o extrato anual completo em CSV junto com um resumo separado de comissões e taxas. Salve tudo numa pasta datada por conta, para não caçar arquivo no meio da declaração.
  2. Monte uma planilha listando cada operação fechada no exterior. Use colunas para data de fechamento, moeda da conta, resultado nessa moeda, cotação do dia e resultado em reais, somando por mês. Apure linha a linha em vez de redigitar números a partir de capturas de tela, que é onde os erros entram.
  3. Concilie o informe da corretora brasileira com o seu próprio registro de operações. Exporte o histórico da plataforma em CSV e compare os totais de ganho e perda com os números do informe. Se a diferença for relevante, abra um chamado com a corretora cedo, antes do fim do prazo — correções de última hora geram retrabalho e estresse.
  4. Apure o ganho de capital do exterior mês a mês e recolha o DARF quando devido. Use o programa de ganhos de capital (GCAP) ou o de carnê-leão conforme o enquadramento, transcreva os números para a declaração de ajuste e guarde o recibo de entrega junto com os extratos. Não invente alíquota: aplique a que a legislação determina para o seu caso.
  5. Consulte um contador quando houver várias contas, valores altos ou qualquer dúvida de enquadramento. Uma hora com um profissional qualificado custa pouco perto de uma multa fiscal, e o investimento se paga muitas vezes. Procure alguém com traders pessoa física na carteira — operações no exterior não são o que todo escritório de bairro vê todo dia.

Nota para Portugal: o residente fiscal em Portugal declara estes resultados à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), tipicamente como mais-valias de instrumentos financeiros, com regras e prazos próprios do IRS português — diferentes dos brasileiros. Confirme o enquadramento com um contabilista certificado em Portugal antes de declarar.

Jarosław Wasiński
Sobre o autor

Jarosław Wasiński

Editor-chefe do MyBank.pl · Analista financeiro e de mercados

Analista e profissional independente com mais de 20 anos de experiência no setor financeiro. Fundador e editor-chefe do portal MyBank.pl, em atividade desde 2004. Análise fundamentalista dos mercados de câmbio e macroeconômicos desde 2007. Escreve a partir da perspectiva dos mercados globais, com atenção ao quadro regulatório europeu (ESMA) e brasileiro (CVM).

Fontes e bibliografia

  1. Ministerstwo Finansów PIT-38 — zeznanie o wysokości osiągniętego dochodu (poniesionej straty) · Oficjalna strona formularza PIT-38 z aktualną wersją druku za rok 2025 i wersjami archiwalnymi. www.gov.pl ↗
  2. Ministerstwo Finansów Twój e-PIT — usługa składania zeznań PIT-37, PIT-38, PIT-36, PIT-36L i PIT-28 · Strona usługi Twój e-PIT na portalu podatki.gov.pl — import PIT-8C i złożenie PIT-38 online. www.podatki.gov.pl ↗
  3. Narodowy Bank Polski Kursy walut — Tabela A kursów średnich walut obcych · Oficjalne archiwum kursów średnich NBP wykorzystywanych do przeliczania transakcji walutowych na potrzeby PIT. nbp.pl ↗
  4. Ministerstwo Finansów / Sejm RP Ustawa o podatku dochodowym od osób fizycznych z dnia 26 lipca 1991 r. — tekst jednolity (PDF) · Tekst ustawy zawierający art. 11a, 30b i 39 — podstawa prawna PIT-8C i obowiązku samodzielnego rozliczenia. isap.sejm.gov.pl ↗
  5. Ministerstwo Finansów Formularze podatkowe — pełna lista druków PIT do pobrania · Strona z formularzami PIT, w tym aktualnym PIT-38 wersji 18 z opisem przeznaczenia formularza. www.podatki.gov.pl ↗

Perguntas frequentes

Quem emite o informe de rendimentos das operações de Forex?

No Brasil, uma corretora ou instituição financeira nacional emite o informe de rendimentos ao cliente e alimenta o sistema da Receita Federal — na prática, uma entidade regulada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Corretoras estrangeiras (Saxo Bank, IG, IC Markets, Interactive Brokers Ireland) não emitem informe brasileiro porque não estão sujeitas à legislação tributária do Brasil. Não é um descuido nem um privilégio: é a consequência direta de a empresa estar constituída fora do país. O residente fiscal no Brasil continua obrigado a apurar e declarar esses resultados por conta própria — em caso de dúvida sobre o enquadramento, consulte um contador.

Se a corretora estrangeira não emite informe, eu não preciso pagar imposto?

Não. O residente fiscal no Brasil é tributado pela renda mundial: o ganho de capital obtido na alienação de ativos no exterior integra a apuração, independentemente de a corretora ter emitido informe ou reportado a algum órgão brasileiro. Não receber informe significa apenas que você precisa fazer todo o cálculo por conta própria, a partir do extrato anual da corretora. O Brasil participa desde 2017 do intercâmbio automático de informações financeiras sob o padrão CRS da OCDE — a Receita Federal pode ter dados da sua conta na corretora estrangeira antes de você começar a declaração. Omitir esses resultados expõe a multa, juros e, em valores elevados, a representação fiscal para fins penais. As alíquotas e os limites aplicáveis dependem do seu caso: consulte um contador.

Como converto para reais as operações fechadas em dólar?

Para resultados obtidos em moeda estrangeira — tipicamente o dólar —, cada operação fechada deve ser convertida para reais. A apuração de ganho de capital sobre operações no exterior segue o critério da legislação para conversão de moeda estrangeira em real, com regras específicas conforme a origem dos recursos usados na operação; por isso não cabe inventar uma taxa única aqui. Na prática, registre a data de fechamento, o resultado em dólar e a cotação correspondente daquele dia, convertendo posição a posição. Usar um único câmbio anual para tudo é um atalho comum que pode ser questionado numa fiscalização. Qual cotação oficial e qual regra de conversão se aplicam ao seu caso é assunto para um contador confirmar antes de você apurar.

Como reúno na mesma declaração uma conta no Brasil e uma no exterior?

Os números do informe da corretora brasileira você transcreve diretamente para a declaração de ajuste anual — já vêm prontos e em reais, dentro do regime próprio da renda variável ou da renda fixa. Os resultados da corretora estrangeira você apura por conta própria: cada operação fechada é convertida para reais, os ganhos e perdas são totalizados mês a mês como ganho de capital no exterior e levados às fichas correspondentes. A declaração é um único documento, qualquer que seja o número de contas, mas regimes diferentes não se somam num só campo — cada um vai à sua ficha. O ganho de capital do exterior é apurado mensalmente e o DARF é recolhido quando devido. Se houver dúvida sobre compensar perdas entre as contas ou sobre o enquadramento de cada operação, consulte um contador antes de declarar.

Que documentos devo guardar caso a Receita peça comprovação?

Guarde o conjunto completo de documentos pelo prazo em que a Receita Federal pode rever a sua declaração — confirme o prazo exato com um contador, pois ele depende do tributo e da situação. Na prática, mantenha: o informe de rendimentos da corretora brasileira (PDF), os extratos anuais das corretoras estrangeiras (CSV e PDF), a planilha de conversão com as cotações usadas em cada operação, as notas fiscais de custos dedutíveis em seu nome (TradingView, VPS, dados de mercado), os DARF recolhidos sobre o ganho de capital e o recibo de entrega da declaração de ajuste. Documentos digitais são aceitos, desde que possam ser reproduzidos e impressos quando solicitados.

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